O show dela é uma declaração de amor:
À música, aos seus fãs, a ela mesma, às suas origens, à vida.
E Maria Bethânia, mesmo fugindo a todos os padrões de beleza impostos, é uma das mulheres mais belas que eu já vi!
domingo, 11 de abril de 2010
Voltando inspirada do show da Maria Bethania...
"Diz-se que quem é feliz no amor
No jogo é infeliz
Mas de quem faz do amor
Um jogo, o que é que se diz?"
- Caetano Veloso
terça-feira, 6 de abril de 2010
Porque essa música é a cara de São Paulo...
A SETA E O ALVO
Composição: Paulinho Moska e Nilo Romero
Eu falo de amor à vida
Você de medo da morte
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte
Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta
Te chamo p'ra festa
Mas você só quer atingir sua meta
Sua meta
É a seta no alvo
Mas o alvo na certa não te espera
Eu olho p'ro infinito
E você de óculos escuros
Eu digo "Te amo"
E você só acredita quando eu juro
Eu lanço minha alma no espaço
Você pisa os pés na terra
Composição: Paulinho Moska e Nilo Romero
Eu falo de amor à vida
Você de medo da morte
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte
Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta
Te chamo p'ra festa
Mas você só quer atingir sua meta
Sua meta
É a seta no alvo
Mas o alvo na certa não te espera
Eu olho p'ro infinito
E você de óculos escuros
Eu digo "Te amo"
E você só acredita quando eu juro
Eu lanço minha alma no espaço
Você pisa os pés na terra
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era
(espaço)
E o que era?
Era a seta no alvo
Mas o alvo na certa não te espera
(espaço)
Eu grito por liberdade
Você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar
Eu corro todos os riscos
Você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade
É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?
Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar
Eu corro todos os riscos
Você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade
É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?
Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?
domingo, 14 de fevereiro de 2010
...
A Viajante
Rubem Braga
Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.
Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.
Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.
Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.
Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.
Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.
Rio, abril de 1952.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Desvendada a mente das mulheres...
"O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não
O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não
O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração"
(Chico Buarque/Maria Bethânia - Teresinha)
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não
O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não
O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração"
(Chico Buarque/Maria Bethânia - Teresinha)
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Por que?!
ervas daninhas
homens máquinas.
sinto como se fisgassem meu coração.
pq quase todos são assim?
quase com medo de respirar flores.
aniquilaram os jardins por medo de pragas.
e se a praga for uma flor bonita?
soh pq um dia disseram q era praga.
"meu peito tãO dilacerado"... acho q não consigo.
me abraça alguém do bem e me faça sorver vida: vida de verdade.
não esse teatro, não essa tragédia.
essa vida cheia de vírgula.
eu quero um banho de chuva.
eu quero amigos sinceros.
e ervas daninhas no meu quintal.
(Transcrito do blog: http://laterradonunca.blogspot.com/2006/05/ervas-daninhas.html)
homens máquinas.
sinto como se fisgassem meu coração.
pq quase todos são assim?
quase com medo de respirar flores.
aniquilaram os jardins por medo de pragas.
e se a praga for uma flor bonita?
soh pq um dia disseram q era praga.
"meu peito tãO dilacerado"... acho q não consigo.
me abraça alguém do bem e me faça sorver vida: vida de verdade.
não esse teatro, não essa tragédia.
essa vida cheia de vírgula.
eu quero um banho de chuva.
eu quero amigos sinceros.
e ervas daninhas no meu quintal.
(Transcrito do blog: http://laterradonunca.blogspot.com/2006/05/ervas-daninhas.html)
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Porque é muito para deixar passar...
Tereza
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do
[corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
- Manuel Bandeira
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do
[corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
- Manuel Bandeira
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
É cômico, mas é triste...
CARA VALENTE
Maria Rita
Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir...
Foi escolher o mal-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração
Olha lá!
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo Cara Valente
Mas veja só
A gente sabe...
Esse humor
É coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
A gente não cai não...
Ê! Ê! Ele não é de nada
Oiá!!! Essa cara amarrada
É só! Um jeito de viver na pior
Ê! Ê! Ele não é de nada
Oiá!!! Essa cara amarrada
É só! Um jeito de viver
Nesse mundo de mágoas...
Maria Rita
Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir...
Foi escolher o mal-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração
Olha lá!
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo Cara Valente
Mas veja só
A gente sabe...
Esse humor
É coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
A gente não cai não...
Ê! Ê! Ele não é de nada
Oiá!!! Essa cara amarrada
É só! Um jeito de viver na pior
Ê! Ê! Ele não é de nada
Oiá!!! Essa cara amarrada
É só! Um jeito de viver
Nesse mundo de mágoas...
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